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Maternidade desenvolve habilidades desejadas por recrutadores, defende empreendedora

Maternidade desenvolve habilidades desejadas por recrutadores, defende empreendedora

O equilíbrio entre carreira profissional e vida materna ainda é um desafio para muitas mulheres brasileiras. Não são raros os casos em que elas são demitidas logo após a volta da licença-maternidade, principalmente em companhias que ainda têm a mentalidade de que filhos são sinônimo de mau desempenho.

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas revela que existe uma queda imediata na empregabilidade de mulheres após o fim da licença-maternidade. A baixa é ainda maior após dois anos, quando metade delas saem do mercado, na maioria das vezes por conta do empregador.

O mesmo estudo também mostra que a média nacional da licença é de 120 dias e que benefícios auxiliares são necessários para reter mais mães no mercado profissional, como auxílio creche.

O nascimento de novas habilidades

Boa parte das dificuldades das mães em se posicionar no mercado de trabalho se deve ao fato de que muitas empresas ainda não conseguem enxergar as habilidades que podem ser despertadas com a maternidade – muitas delas ranqueadas como prioridade em listas de competências desejadas pelos recrutadores.

Isso é o que defende Camila Antunes, advogada, pedagoga e cofundadora da consultoria Filhos no Currículo. “Os filhos são como um convite para desenvolvermos habilidades que nunca havíamos imaginado”, afirmou no evento “Mães e Pais no mercado de trabalho”, promovido pelo Love Mondays (atualmente Glassdoor).

Para ela, os desafios do dia a dia como mãe de dois filhos pequenos proporcionaram habilidades que talvez nunca conseguisse alcançar somente com a vivência no mercado de trabalho.

“Carreira e filhos podem caminhar juntos”, garante a profissional que hoje trabalha para ajudar empresas a sistematizar ações de inclusão para pais e mães. “Existe uma crença de que filhos atrapalham nossa carreira, mas a gente não percebe que muitas oportunidades aparecem justamente por causa deles. Eu me sinto hoje muito mais criativa, flexível, resiliente e dona do meu tempo – porque, como mães, a gente precisa saber se organizar”.

As habilidades da maternidade

Camila também falou sobre a empatia despertada pela maternidade, característica que surge com a necessidade constante de compreender aquilo de que a criança está precisando, o que está sentindo e o que pode ser feito para que ela fique bem.

Além disso, a relação com os filhos desenvolve a inteligência emocional, já que os pais precisam controlar suas emoções para administrar o cotidiano com seus filhos. Se um problema no trabalho está causando estresse, por exemplo, o cenário ideal é que isso não afete a família.

Gerenciar um lar com filhos também exige muito planejamento e organização, duas outras habilidades frequentemente cobradas em processos seletivos de diversas áreas.

Camila completa apontando o peso que muitas mães atribuem aos filhos pelas complicações em sua carreira “A gente não pode responsabilizar as crianças pelas coisas que acontecem na nossa vida profissional”, afirma. Ela lembra ainda que muitas mulheres não contratam mães por concordarem com o viés de que a maternidade pode atrapalhar a rotina corporativa, sinalizando que esse assunto ainda precisa ser fortemente discutido (e o viés, combatido).

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