Gig Economy: conheça mais a fundo a economia do freelancer

Uma economia movimentada por trabalhadores sem vínculo empregatício, que trabalham por projeto ou oferecem tempo, habilidades ou posses – como no caso do Uber e do Airbnb – em plataformas que emprestam visibilidade e credibilidade ao que eles têm a oferecer. Nessa economia, cada pessoa é uma empresa.

O termo “gig”(pronuncia-se “guig”) surgiu como sinônimo de show para bandas– dizia-se que “a banda X faria um gig no bar local” – como que para descrever um evento descompromissado, remunerado na forma de um cachê. Logo ele passou a ser utilizado para descrever trabalhos pontuais, realizados sem compromisso para o contratante para além da remuneração acordada.  A consultoria de RH, Mercer, listou esse tipo de trabalho como uma tendência de recrutamento a ser observada em 2017, destacando que a contratação temporária de pessoas altamente qualificadas (ou “aluguel de talentos”) para projetos com começo, meio e fim é vital para que empresas consigam gerenciar a demanda de trabalho sem exaurir os recursos internos.

A força da Gig Economy aparece em pesquisas dos mais influentes observadores das relações de trabalho. Do Forum Econômico Mundial à Mercer, como já publicado no Canal do RH aqui, todos recomendam atenção dedicada ao assunto, especialmente para quem lida com temas de gestão de pessoas. E cada vez mais pessoas estarão ligadas a essa economia num futuro próximo: a Intuit Research realizou um estudo que prevê que 40% dos trabalhadores americanos terão suas vidas profissionais na Gig Economy até 2020. Outro estudo, feito pelo JP Morgan Chase Institute, mostra que o número de pessoas que ganham a vida na Gig Economy cresceu 10 vezes desde 2012 e que 4% das pessoas já trabalharam nesse sistema em algum ponto de suas vidas profissionais.

A favor dessa forma de trabalhar aparecem fatores como o aumento das opções de renda para pessoas desempregadas e mais liberdade para coordenar projetos profissionais e questões pessoais. Contra ela, aparecem a insegurança para o trabalhador, já que o contrato de trabalho pode ser encerrado a qualquer momento e sem as garantias asseguradas pelos contratos tradicionais de trabalho e, para empresas, a dificuldade de coordenar equipes de pessoas não diretamente ligadas e comprometidas com uma só organização.

No Brasil, as mudanças propostas pelo governo federal na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) colocaram o tema do trabalho sem vínculo na pauta de discussão de todo país. À parte das questões relacionadas aos direitos do trabalho, essa forma de contratar apresenta aos profissionais de RH um novo desafio: o de apoiar as empresas na transição para equipes cada vez menos tradicionais, que precisam estar conectadas e engajadas em seus projetos mesmo não tendo em comum um mesmo empregador. Novos tempos.