O que esperar de 2020 para o mercado de RH – Glassdoor para Empresas
mercado de rh

O que esperar de 2020 para o mercado de RH

O mercado de RH está passando por diversas transformações: vem se tornando uma área mais estratégica para os negócios, adotando ferramentas mais modernas e trabalhando com metodologias ágeis.

Se antes essa era uma profissão que inspirava na cabeça das pessoas a imagem de alguém calculando folha de pagamento em meio a muitos papéis, hoje vemos um profissional elaborando personas, trabalhando com o marketing para construir e comunicar sua marca empregadora, calculando suas métricas de custo por contratação e aquisição de talentos e lidando com novas ferramentas de análises.

No início desta nova década, é a cultura quem deve ditar as regras nos negócios, tornando o RH ainda mais essencial no dia a dia das empresas. Para entender o que o mercado espera de 2020, conversamos com 8 profissionais de Recursos Humanos de empresas de diferentes segmentos para entender a percepção deles sobre esse futuro próximo. 

Confira a seguir o que pensam Elisama Mascarenhas, coordenadora de DHO na Energisa, Mariana Rocha, head de People e Cultura na idwall, Marina Castro, head de RH na Souza Cruz, Manuela Rosa, coordenadora de RH da e-Core, Rafael Brazāo, head de RH no C6 Bank, Tereza Coelho, coordenadora de RH na DMCard, Thiago Veras, diretor de RH na Empiricus, e Oliver Haider, Team Leader de Employer Branding na XP Inc.

Atração na era dos dados

Entre os principais desafios do RH para os próximos anos, a atração de talentos – especialmente de profissionais de tecnologia – é um dos mais mencionados. "A era do digital veio para ficar e, com ela, a demanda por respostas rápidas por parte do RH", explica Thiago, da Empiricus. 

Segundo Oliver, da XP Inc, hoje a competição por talentos transbordou segmentos, ou seja, uma empresa da área financeira compete pelo mesmo profissional que uma empresa de T.I. "Se aquela cadeira é importante o suficiente pra estar aberta, você precisa trazer alguém importante o suficiente para sentar nela", afirma citando o livro “Recruit Rockstars”, de Jeff Hyman.

A competição por talentos tem feito as empresas reverem também seus processos, para ter mais agilidade na tomada de decisão. Marina, da Souza Cruz, nos conta que hoje tem focado em trazer para dentro da empresa competências do futuro, e buscado fazer mensurações do ROI (retorno sobre o investimento) em seus programas de trainee e focado em análises preditivas por meio de People Analytics.

Segundo Rafael, do C6 Bank, com a transformação da área de Recursos Humanos, há a necessidade de uma disrupção, um novo mindset mais alinhado ao negócio. "Ser estratégico é estar de fato conectado, gerar resultado, entender que cada vaga mexe em indicadores da empresa", conta. Por isso, hoje a área de RH é também cada vez mais diversa. No C6 Bank, por exemplo, o time conta com profissionais de engenharia, direito e desenvolvimento. "Essas pessoas somam à equipe por diversas competências, visto que o recrutador hoje não executa apenas o trabalho de hunter, mas também de farmer, cuja missão é manter o candidato  engajado e aquecido", diz. 

Experiência da entrevista ao desligamento

Hoje, o recrutamento é via de mão dupla e, sabendo que o candidato também escolhe a empresa onde quer trabalhar, tornar a experiência do profissional interessante com a empresa passou a ser mais do que um mimo. Por isso, desde o processo seletivo até o desligamento, as ações que pensam a experiência da pessoa na empresa devem ganhar ainda mais espaço em 2020. 

Com isso, vem também uma demanda maior por estratégias de employer branding no mercado de RH e também transparência durante o processo seletivo, visto que as empresas estão crescendo de forma rápida, o que exige uma velocidade na contratação sem perder qualidade. "Deve haver clareza nos critérios, para promover um ambiente seguro e minimizar vieses na hora da seleção", diz Mariana, da idwall. 

Manuela reforça que a chave para tornar a experiência do profissional melhor é trabalhar com transparência, dar espaço para as pessoas serem elas mesmas e poderem dar o melhor delas no ambiente de trabalho e alimentá-las com desafios. "Na e-Core, os profissionais têm a possibilidade de interações e aprendizados globais como um diferencial", conta.

Mas nem só a seleção apresenta desafios. Segundo Tereza, da DMCard, não adianta mais entregar uma cartilha na admissão e esperar que o novo funcionário se encarregue do restante. "O profissional de RH deve ter a preocupação de facilitar isso, promovendo e-learning para treinamentos, uma boa integração para conhecer a empresa, o gestor e a equipe, e entender a cultura e os valores do negócio", conta Tereza.

Por fim, nada disso tem valor se não for sustentável. É o que alerta Elisama, da Energisa. "A gente precisa inovar o tempo todo e buscar sempre agilidade, mas diversas vezes só construímos coisas novas e não amadurecemos as que estão em prática", diz. 

A volta da humanização no mercado de RH

Os desafios são muitos, mas a tendência mais forte para 2020, segundo os profissionais de RH, é uma só: diversidade. "Chegou a hora de sair do papel e promover ações efetivas", aponta Mariana. 

É essencial que o RH tenha uma agenda de diversidade para cumprir, que olhe para os chamados grupos de afinidade, que busque recrutar sem mais olhar o gênero, a região onde mora e a faculdade que formou esse profissional. "É papel do RH resgatar a humanização dos ambientes corporativos, onde as pessoas precisam ser olhadas como indivíduos em meio a toda essa disrupção que envolve dados e tecnologia", diz Thiago, da Empiricus. 

Mais do que vender para o mundo uma empresa que apoia a inclusão, ter diversidade no ambiente de trabalho torna-se também uma estratégia de negócios, gerando times interdisciplinares que geralmente trazem resultados melhores. "Precisamos de diversidade de opiniões, de formações, de repertórios. O que trouxe o mundo até aqui não vai ser o que vai levar o mundo até 2050", diz Brazão.