O preço da má reputação nas contratações – Glassdoor para Empresas

O preço da má reputação nas contratações

Quanto custa uma reputação ruim?

Para a companhia aérea que quebrou a guitarra de um cliente e se recusou a cobrir os custos, o preço foi de exatamente 180 milhões de dólares.  O cliente, um músico que estava a caminho de um show no estado norte-americano de Nebraska, criou um videoclipe divertido contando sua experiência e, em poucos dias, milhões de pessoas já haviam visualizado e compartilhado a história. Em poucos dias, as ações da empresa caíram 10%.

Vários tipos de erros cometidos por empresas – que podem ir de escândalos de corrupção a reclamações que viralizam nas redes sociais – têm potencial para danificar sua imagem e, consequentemente, impactar suas contas. O poder está nas mãos dos consumidores. Se eles decidem não confiar mais em uma organização, é muito difícil se recuperar sem sequelas. Mas será que o impacto de uma reputação ruim atinge também o processo de contratação de pessoas?

Para começar a responder à pergunta, vale notar que a mesma transição de poder que percebemos no mercado consumidor – das mãos das empresas para as mãos dos consumidores – parece estar acontecendo também no mercado de trabalho, especialmente quando se trata de mão de obra qualificada. Em uma pesquisa realizada entre 2011 e 2015 pela consultoria MRINetwork, recrutadores de empresas de todo o mundo receberam a seguinte pergunta: “Você diria que o mercado de trabalho hoje é liderado pelos candidatos ou pelos empregadores? “ Na primeira rodada da pesquisa, em 2011, 54% disseram que o mercado era liderado pelos candidatos. Na última, em 2015, 90% deram essa resposta.

À medida que o poder de escolha, especialmente no caso de mão de obra qualificada, tem ido das mãos das empresas para as mãos dos candidatos, a reputação de uma empresa como um bom ou mau local para se trabalhar ganha cada vez mais importância. E a má reputação também tem um preço no âmbito dos recursos humanos. É a conclusão de um estudo realizado pelo Linkedin em parceria com a consultoria ICM Unlimited, que mostra que 10% era o aumento mínimo necessário na oferta salarial inicial para convencer um candidato a aceitar uma proposta numa empresa com uma reputação ruim como empregadora. Boa parte das pessoas ouvidas não se convenceria nem mesmo com os 10% de aumento: mais da metade delas sequer consideraria ouvir uma proposta, não importando o aumento na oferta salarial.

Numa conta que considerou o salário anual médio dos entrevistados, o estudo mostra que as empresas com má reputação nos EUA gastam aproximadamente $ 4.700 dólares a mais por contratação do que aquelas com boa reputação. O exercício de multiplicar esse número pela quantidade anual de contratações pode ser o suficiente para motivar até os mais céticos a olhar com mais cuidado para a marca empregadora de qualquer empresa.