Prós
De prós, só me cabe destacar que, de fato, existem muitas formas e oportunidades para você crescer ali. A mesma moeda das queixas abaixo é a que permite você experimentar e colocar a mão em coisas que certamente servirão de aprendizado para toda sua carreira. O pessoal com que você trabalhará no dia-a-dia é super bacana e é, de longe, um dos motivos para continuar tendo perseverança.
Contras
O título também poderia ser: Como uma empresa focada na preservação de ativos não sabe como gerir o seu ativo principal: seus funcionários Com um produto/nicho interessante de se trabalhar, a Dynamox teve um crescimento acelerado e hoje colhe os frutos por conquistar uma boa fatia do seu mercado. Esse ganho em escala está atrelado a uma base de software construída por uma força de trabalho nitidamente desfalcada em diferentes setores, e também pobre em experiência de mercado de trabalho (muitos ali em seu primeiro ou segundo emprego). O feitiço desse crescimento aparenta cegar os olhos das pessoas em cargos de decisão sobre a oportunidade que se apresenta: ao invés de investir para renovar, revitalizar e impulsionar a empresa em direção à “Excelência”, o imperativo do momento é outro. Na empresa, o mote é extrair até a última gota de minuto de trabalho de times claramente cambaleantes para manter os serviços e aplicações atuais. Não suficiente essa dificuldade, ainda existe a expectativa de “novidades” serem entregues a todo momento. Impressiona a desproporcionalidade de senioridade na empresa - não existe desenvolvimento saudável com a hipertrofia precoce dos juniors e plenos. O título de especialista é banalizado de forma impressionante aqui. E o despreparo de gestores é evidente. Para piorar, além da efusividade em reiterar que o trabalho é “100%” presencial, agora até as migalhas de flexibilidade que antes se via em coordenadores permitindo pegar home office para visitar a família em um feriado prolongado, ou receber um prestador de serviço na sua casa, não existe mais. É assim que você se encontra depois de um tempo: gerenciando uma série de responsabilidades como um malabarista que é constantemente empurrado de seu monociclo. O curioso nisso tudo é que amam se respaldar em empresas de grande porte, como Google, para explicar o porquê de certas “decisões” - cultura de entrega contínua, DevOps, testes, regime de trabalho, etc. Mas se furtam de garantir as condições de trabalho como se vê nesses lugares - como infraestrutura, cultura, confiança, promoção de desenvolvimento pessoal, número de pessoas por time, etc. É curioso como não se vê nenhuma iniciativa para garantir um pouco mais de respiro e salubridade no ambiente de trabalho. Tudo é branco. Não existe um quadro, uma planta, uma área de respiro que te convide a relaxar. A área de descompressão é expressão justamente desse descuido: parece que meia dúzia de puff colorido com um vídeo game é suficiente para dar suporte a sobrecarga mental diária. É que também existe no ar uma expectativa de entrega constante: todo tempo seu ali dentro, fora dos intervalos previstos para se alimentar, se espera que você esteja produzindo. Por fim, aumentam as vagas de estacionamento, as salas de reunião, mas não aumentam as cabines de banheiro tampouco a ventilação delas. De espírito, é nítida a postura de cobrar que sejamos felizes e gratos por termos uma oportunidade de emprego. A capacidade de receberem feedback e converter em ações que de fato levem a mudanças relevantes é praticamente nula. A razoabilidade só aparece em situações quase críticas. A equação de qualidade / velocidade / número de devs nunca fecha. E até a dificuldade em reter/contratar talentos não parece gerar algum tipo de interrogação mental - é mais fácil apostar em uma nova solução mágica do que profanar certas verdades bíblicas da empresa. A cereja do bolo é o caos que vai para além do descontentamento compartilhado em conversas de corredor: é o tipo de caos que surge das várias pessoas querendo colocar suas opiniões, cobranças, e “estímulos” que logo se mostram na verdade como um empurrão em direção ao precipício. Existem pessoas-chave claramente workaholic que nivelam a régua de avaliação por caminhos errados. Inclusive porque até o próprio trabalho delas não parece passar por um crivo de qualidade. No fim, é um pisar em ovos constante já que você é sempre lembrado da sua parcela de responsabilidade nas entregas, e a sensação de labirinto é tenebrosa: independente de onde você tente andar, provavelmente alguma das milhares de competências que esperam de você será ferida. Por fim, o tópico de "gestão" mereceria um capítulo a parte, mas a impressão é de que ninguém tem autoridade para bancar e fazer valer as medidas necessárias para um pouco de sanidade. Entre o querer agradar o cliente, implementar uma nova funcionalidade revolucionária, fazer a gestão de bugs e incidentes, e a devida manutenção dos serviços existe algo semelhante a um buraco negro. A força gravitacional dele só pode ser observada em médio-longo prazo. Ele é escondido sob as promessas feitas de uns para os outros a partir da expectativa gerada quando se chega no fim do dia com algo ligeiramente melhor. Essas meias verdades que alguns escolhem acreditar escondem o peso da base pesada, descuidada, arcaica que suga toda luz que poderia emanar dentro dessa empresa.