Vou ser direto e objetivo. A intenção não é atacar a empresa ou expor ninguém, mas relatar de forma honesta a experiência que tive durante o processo seletivo para uma vaga de QA Senior nessa empresa.
A primeira etapa, com o RH, foi bastante tranquila. A conversa foi clara, bem descontraída e deu a impressão de um processo bem estruturado. Até esse momento, a experiência foi positiva.
O problema apareceu na segunda etapa, que era a entrevista técnica. A entrevista foi conduzida por dois testers da empresa e, sinceramente, a condução da conversa pareceu um pouco desastrosa e despreparada. Eu estava esperando uma conversa mais aprofundada sobre aspectos técnicos do trabalho, como experiências com sistemas, desafios enfrentados, decisões envolvendo arquitetura, banco de dados, estratégias de testes em ambientes complexos ou problemas resolvidos ao longo da carreira.
No entanto, as perguntas foram bastante superficiais e, em muitos momentos, ambíguas. No total, foram cerca de dez perguntas. Sete delas estavam relacionadas a práticas gerais de teste dentro da aplicação, o que até faz sentido, mas não exploraram muito do meu conhecimento técnico ou da minha experiência prática. As outras três perguntas, feitas por outro entrevistador, foram focadas especificamente em detalhes de Cypress.
Essas perguntas do Cypress acabaram me pegando de surpresa, não porque eu não utilize a ferramenta, mas porque não esperava uma entrevista desse nível focada em detalhes específicos de um framework. Acabei não conseguindo respondê-las direito por ser pego muito desprevinido. Na minha visão, esse tipo de pergunta é algo bem ao nível de estágio ou para vagas bem júnior. Frameworks de teste são apenas ferramentas. O importante para um profissional de testes é entender estratégia, arquitetura de Software e testes, análise de risco, integração com o ciclo de desenvolvimento e resolução de problemas (Ser um problem solver, né). A ferramenta em si normalmente é algo que se consulta na documentação em poucos minutos.
As outras sete perguntas eu consegui responder com bastante tranquilidade, inclusive trazendo conceitos, citando autores da literatura e abordagens que aplico no dia a dia. Em uma delas, por exemplo, perguntaram como atuo para evitar problemas ao longo do SDLC. Comentei sobre práticas como Shift-Left Testing, Risk-Based Testing, uso de blameless post-mortems, estratégia na estruturação e na cobertura baseada na pirâmide de testes, além da importância de estruturar bem o ambiente de desenvolvimento para reproduzir cenários com maior fidelidade. Também mencionei que existem diferentes variações da pirâmide de testes dependendo do contexto da equipe, mas que o conceito central de distribuição de testes continua sendo relevante.
Durante algumas dessas respostas, tive a impressão de que o entrevistador ficou um pouco desconfortável com o nível ou a direção da discussão.
Outra pergunta foi sobre o que eu acredito que poderia melhorar em um “QA”. Nesse ponto, fiz um comentário que considero importante, (além disso, QA não é exatamente um cargo, meu povo, mas um conjunto de processos e práticas voltadas à garantia de qualidade. O profissional na prática atua como tester, aplicando abordagens de QA e QC dentro do processo.) A partir disso, comentei que vejo muito valor em testers desenvolverem mais conhecimento em desenvolvimento de software, arquitetura e engenharia de software de forma geral. Novamente tive a impressão de que isso gerou algum desconforto durante a conversa por parte do entrevistador.
No fim, fiquei com a sensação de que a entrevista não conseguiu explorar de fato minha experiência ou conhecimento. A impressão que tive foi de um certo desalinhamento entre o que eles esperavam encontrar no candidato e o que de fato era o meu perfil. O curioso é que essas informações já estavam bem claras no meu currículo, então não sei exatamente onde ocorreu essa divergência de expectativa por parte deles.
Outro ponto que achei estranho foi a ausência de feedback. Enviei um e-mail para o RH perguntando sobre o retorno do processo e não obtive resposta até agora.
No final das contas, também fiquei com a sensação de que apenas desperdicei 1h15 de entrevista técnica para não receber sequer um feedback sobre o processo, o que considero algo bastante básico em qualquer processo seletivo minimamente estruturado.
Enfim, deixo esse relato como uma reflexão sobre o processo para que melhorem.