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Conheça “job sharing”, o modelo de trabalho que propõe dividir cargo para trabalhar menos

Conheça “job sharing”, o modelo de trabalho que propõe dividir cargo para trabalhar menos

Você já sonhou em ter mais equilíbrio entre a vida pessoal e profissional? Esse era o desejo das diretoras de recursos humanos Carolina Mazziero e Liana Fecarotta ao proporem para a empresa em que trabalham, a Unilever, um experimento com um novo formato de trabalho: o job sharing (ou cargo compartilhado).

O conceito ainda é novidade no Brasil, mas empresas americanas e europeias já apostam que dividir cargo é uma das tendências do futuro do trabalho. Segundo pesquisa da Robert Half, 48% das empresas do Reino Unido e mais de 25% das empresas da Europa já praticavam o modelo em 2014.

Liana relembra que ela e a Carol estavam passando por um momento na vida pessoal em que gostariam de ter mais tempo para dedicar aos filhos e aos estudos. “Juntas, começamos a imaginar como seria dividir o nosso cargo e trabalhar três vezes por semana. Levamos a ideia a para a Luciana Paganato, vice-presidente de recursos humanos, que recebeu a sugestão positivamente”, conta.

Como funciona o cargo compartilhado na prática

Carolina trabalha às segundas, terças e quartas, enquanto Liana trabalha às terças, quartas e quintas. Toda terça-feira pela manhã, a dupla se reúne para discutir as missões e atividades semanais. No Brasil, é a primeira vez que a empresa adota o job sharing, que ficará em teste por seis meses. Com a mudança na carga horária, também houve ajuste na remuneração: trabalhando 60% do tempo, elas recebem 60% do salário e dos benefícios.

“É um modelo interessante porque atende a necessidades específicas de funcionários, inclusive dos jovens talentos que desejam um estilo de trabalho menos engessado, mais colaborativo e diverso. Acreditamos que este modelo pode ser executado para diversos contextos”, opina Carolina.

Contudo, para que a divisão de cargo funcione com sucesso, ela afirma que é preciso de alguns elementos essenciais:

1. Definição clara de escopo dos colaboradores envolvidos;
2. Comunicação fluida com toda a equipe;
3. Combinados claros com a liderança direta;
4. Definição de entregas de curto prazo dentro da estratégia de longo prazo.

Por ser uma novidade para todos os envolvidos, a dupla ainda está descobrindo como fazer o job sharing funcionar melhor no dia a dia da empresa. “Entendemos que, para dar certo, é preciso que tenhamos o mínimo de empatia e habilidades complementares”, garante Liana. “É fundamental que o fluxo de informações entre toda a equipe seja constante e funcional, com prioridades, prazos e mensuração de resultados bem definidos, além de melhorias na vida pessoal”, completa Carol.

Vantagens e desvantagens

Tanto para a empresa quanto para os funcionários, o cargo compartilhado apresenta oportunidades e desafios. A consultora de gerenciamento e recursos humanos Susan Heathfiled apresenta os principais prós e contras do novo modelo.

Prós

1. Um funcionário pode ressentir trabalhar em período integral, especialmente depois de ter uma família, pelo desejo passar mais tempo com seus filhos.

2. Equilíbrio entre vida profissional e pessoal é uma questão importante para os funcionários, especialmente os millennials que se tornaram a maioria no mercado de trabalho em 2015, e eles costumam considerar esse fator para entrar ou se manter em um emprego.

3. Os funcionários que possuem equilíbrio entre vida profissional e pessoal são menos estressados e podem contribuir mais efetivamente quando estão trabalhando.

Contras

1. Trabalhar em parceria com uma segunda pessoa pode ser desafiador, pois cada parte precisa compartilhar todas as informações necessárias para que o outro contribua efetivamente e faça seu trabalho. Isso significa que nada ser ignorado ou passar desapercebido.

2. Em uma divisão de trabalho, nenhum dos funcionários terá as coisas a seu modo. Comprometer-se e aprender novas maneiras de trabalhar em conjunto é necessário ou os clientes e colegas de trabalho experimentarão confusão e incerteza.

3. Se os parceiros não forem compatíveis, a divisão não funcionará e isso os levará a reexaminar todo o processo de tomada de decisão que os levou à decisão de dividir o emprego.

4. É difícil encontrar um parceiro de trabalho porque a maioria dos funcionários não pode se dar ao luxo de trabalhar meio período.

5. Muitas empresas consideram que a divisão não seria eficaz para seus modelos de negócios, segundo a pesquisa da Robert Half.

Implementando no trabalho

Se você tem interesse em dividir cargo com alguém, Deb Hornell, presidente da empresa praticante do modelo Hornell Partners, recomenda formular um plano que realce as vantagens da divisão de cargos.

Ela afirma que o segredo é se preparar bem e encontrar alguém que tenha valores similares aos seus, saiba se comunicar claramente e que se mostre alinhado no desenvolvimento do trabalho. Profissionais de todas as áreas podem se candidatar, contanto que a empresa se mostrem abertas ao modelo.