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Presença na vida do filho transforma homens em melhores profissionais

Presença na vida do filho transformam homens em melhores profissionais

A paternidade na pauta das empresas. Como o mercado de trabalho pode contribuir para que homens sejam mais participativos na vida de seus filhos.

“Eu fui julgado pelos meus colegas de trabalho por sair mais cedo para levar minha filha ao médico” afirma pai que prefere não se identificar em entrevista para a consultoria Filhos no Currículo. Esta sensação relatada por alguns homens já é a realidade de muitas mulheres que não se sentem acolhidas pelo mercado de trabalho após a chegada dos filhos. Infelizmente os “cuidados com os filhos” ainda são vistos como uma responsabilidade da mulher e muitas empresas, apesar da boa intenção, acabam contribuindo para este viés na medida em que focam seus esforços em políticas exclusivamente voltadas para as mulheres.

Benefícios para pais

É comum perceber como grande parte do mercado de trabalho enxerga a mulher em “idade fértil” ou com filhos como uma funcionária potencialmente mais onerosa para a empresa. E, vamos ser sinceros, a forma como a maior parte da empresas pensam as suas políticas e benefícios contribui para esta percepção. Grandes companhias oferecem auxílio creche ou berçário para seus empregados, mas poucas delas concedem benefícios igualitários para mães e pais, principalmente aqueles que são relacionados à flexibilidade de horários.

Mas existem empresas como a Johnson & Johnson onde a licença-paternidade é de dois meses e pode ser usufruída no momento que o funcionário quiser dentro do primeiro ano do nascimento ou adoção da criança – o que permite um revezamento de cuidados entre pai e mãe. Esta infelizmente não é a realidade da maioria das empresas: ainda dentre as melhores para se trabalhar, somente 29% delas oferecem mais do que os cinco dias de licença-paternidade garantidos por lei.

Mas não é apenas o mindset do empregador que precisa mudar. Muitas pessoas ainda carregam o viés de que pai “ajuda” e mãe “cuida” e, como consequência, a carga mental associada aos cuidados com os filhos se acumula nos ombros da mulher, contribuindo para a percepção de que elas são menos disponíveis profissionalmente, mesmo que tenham as qualificações e tempo de casa equivalentes aos homens.


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A visão dos pais no mercado de trabalho

Pense e responda com sinceridade: como você percebe o seu colega de trabalho depois que virou um “pai de família”? Mais responsável ou menos disponível? “De forma geral, os homens afirmam que a paternidade os fez mais responsáveis e que os patrões perceberam e os recompensam por isso”. Esta é a conclusão da economista e pesquisadora do Insper Regina Madalozzo, que conduziu um estudo com 700 moradores de 30 bairros da periferia de São Paulo com pelo menos um filho de até seis anos. Os dados, porém, não são suficientes para evidenciar a pergunta que não quer calar: será que este mesmo homem que é percebido como um profissional mais responsável depois de virar pai exerce um papel presente na vida de seu filho? Ou basta a foto de porta-retrato na mesa de trabalho para depor ao seu favor?

A Filhos no Currículo acredita pais e mães presentes e participativos na vida dos filhos são profissionais mais completos que desenvolvem novas habilidades sócio-emocionais e que conseguem transpor para suas carreiras novas formas de encarar problemas complexos, de exercerem uma liderança mais empática e de serem mais criativos. Além dos benefícios para a carreira, o exercício pleno da parentalidade tem um impacto social crítico. O intervalo desde a gestação até os dois anos de uma criança, mais conhecido como os “primeiros 1.000 dias de vida”, é considerado um período decisivo, que pode mudar radicalmente o destino da criança, não apenas em termos biológicos mas também em questões intelectuais e sociais. Diante deste cenário, é preocupante perceber que 4 em cada 10 crianças não têm vínculos emocionais fortes com os seus pais (lê-se pais e mães), segundo um estudo americano conduzido com 14.000 crianças pela Princeton University.

Quando o assunto é FILHOS & CARREIRA, é preciso mudar o mindset de que esta é uma pauta exclusivamente da mulher e atrair toda a comunidade necessária para a criação de um filho para dialogar e ser ouvida. As empresas que repensarem as suas políticas com mais isonomia e levarem em consideração as novas configurações familiares e a vontade de muitos homens em construir uma relação de vínculo com seus filhos, estarão permitindo que muitos profissionais com filhos, sejam eles homens ou mulheres, sejam protagonistas em suas carreiras.

Sobre a consultoria Filhos no Currículo

Somos uma consultoria que ajuda empresas a inovarem suas relações de trabalho e a se tornarem o melhor lugar para profissionais com filhos trabalharem e se desenvolverem. Transformamos as relações de trabalho através do mapeamento da cultura das organizações, desenvolvimento das competências de profissionais com filhos, promovendo um ambiente de pertencimento com respeito à diversidade. Empresas como Pepsico, Grupo Inpress, Danone, Aramis, Abbott, Rede Mulher Empreendedora e Glassdoor estão entre os nossos clientes e parceiros.

Convidamos pais e mães a refletirem sobre a importância da construção de vínculo entre pais e filhos para a carreira e desenvolvimento sócio-emocional das crianças. Clique aqui para saber sobre o evento organizado pelo Filhos no Currículo e B2BMamy.

Esse artigo foi publicado originalmente no perfil de Michelle Terni.