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Como tem sido trabalhar de casa para funcionários do Glassdoor

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Por Ana Prado, Corporate Communications – LATAM

Quando recebi a notícia de que todos os funcionários do Glassdoor passariam a trabalhar de casa por conta do coronavírus, confesso que a princípio achei que a regra não se aplicaria ao escritório no Brasil. Quero dizer, nossa vida em São Paulo estava correndo normalmente — tínhamos acabado de voltar do carnaval e a cidade tinha até então três casos até aquele dia 4 de março. Mas tratava-se de uma política global, e eu já deveria começar no dia seguinte. 

O Glassdoor permitiu que levássemos, além de computadores, teclados e mouses, também telas extras, cadeiras e até mesas de trabalho. A empresa pagaria o transporte até a nossa casa, e quem precisasse de um upgrade na internet poderia pedir reembolso. Todas as reuniões presenciais teriam de virar ligações ou videochamadas, e foram marcadas reuniões extras entre os times para que pudessem se manter conectados mesmo a distância. 

Fui a primeira dos meus conhecidos a começar a fazer home office contínuo. “Vou poder marcar almoço com amigos que trabalham aqui por perto!”, pensei, do alto da minha ignorância. Não deu tempo. Poucos dias depois, os casos começaram a aumentar e a situação em países da Europa, onde temos membros da equipe, se deteriorou muito rapidamente. Contar com a comunicação frequente com um time internacional me ajudou a ter a real noção do que estava acontecendo. Sair de casa passou a significar um risco para toda a comunidade, e era só uma questão de tempo até que as coisas piorassem por aqui. 

Estou completando sete semanas em casa e é como se tivessem passado uns quatro meses, dado que tanta coisa mudou. Trabalhar em casa podendo almoçar e jantar fora é uma coisa; ter que ficar trancado mesmo durante os finais de semana é outra muito diferente, e é inevitável nos sentirmos ansiosos e inseguros. Se a saudade da rua já tem apertado no meu peito há um bom tempo, o lado bom é que nessas semanas consegui entender melhor o que funciona — e o que não funciona — para fazer com que eu me sinta melhor nessas condições. E basicamente tudo se resume, para mim, a conseguir dividir bem o trabalho da vida pessoal, mesmo que seu escritório esteja temporariamente no seu quarto. 

Dicas para manter a sanidade durante o home office 

A primeira coisa que percebi é o poder do banho. Não me entenda mal: tomar banho é ótimo, mas todo mundo sabe como é gostoso passar o dia inteiro de pijama também. Isso pode funcionar quando você tem um dia de home office por semana, mas não rola fazer sempre. Mesmo. Percebi que quando acordo e já vou direto trabalhar meu rendimento e motivação são muito menores e eu logo fico contando as horas para poder me jogar no sofá e ver séries, porque não entrei de fato no modo trabalho. Mas tudo fica diferente nos dias em que tomo um belo banho antes e me arrumo como se fosse para o escritório.  Dizem que isso é fundamental para não dar uma impressão ruim aos outros caso tenha que fazer uma videochamada, mas isso é secundário. A realidade é que é bom para você mesmo, porque é o primeiro sinal para o seu cérebro de que é hora de trabalhar. 

Tendo se arrumado, o segundo passo é delimitar seu ambiente de trabalho. Já tentei trabalhar da minha cama, mas não funciona: me dá sono enquanto trabalho e me tira o sono quando quero dormir. Acho que nosso cérebro fica confuso — afinal, isso é lugar para descansar ou não? — e acabamos não fazendo nada direito. Por isso, reservar um local somente para o trabalho (ainda que seja literalmente um cantinho da sua casa) é fundamental para conseguirmos nos concentrar e também nos desligar quando chegar a hora: é só fechar o computador e sair andando. 

Por fim, é aquele clichê que todo mundo conhece, mas muita gente ignora: quando der seu horário, PARE DE TRABALHAR. Nos meus primeiros dias eu cheguei a trabalhar 11 ou 12 horas direto e é óbvio que isso não faz bem. Mas uma prática específica tem me ajudado a controlar a ansiedade e a me desconectar do trabalho sem culpa ao fim do dia: fazer uma lista semanal de tarefas. 

Já tentei criar listas diárias, mas não funcionava tão bem porque eu sempre colocava muito mais coisas do que conseguia resolver e acabava me sentindo frustrada. Agora, organizo minha lista para a semana seguinte toda sexta-feira e tento ser o mais realista possível, focando naquilo que é prioritário. Assim, já começo cada semana (e cada dia) sabendo exatamente o que precisa ser feito e não fico sofrendo ao pensar naquelas tarefas que ainda nem comecei. Essa visão mais ampla permite distribuir melhor as coisas ao longo da semana e evita que você se sobrecarregue em determinados dias. Com uma agenda diária menos lotada, também fica mais fácil deixar espaço para coisas que surgirem de última hora. No fim do dia, é só marcar o que foi feito e rever a lista para o dia seguinte, fazendo os ajustes necessários. 

Por fim, só mais uma dica: é importante ter uma programação relacionada ao trabalho, mas também pode ser legal fazer planos para parte do seu tempo de descanso a fim de garantir que você está se cuidando. Escolha no começo da semana um livro que vai querer ler durante os próximos dias, marque videochamadas com amigos e reserve uns minutos para meditar ou se exercitar, por exemplo. Tudo isso nos ajuda a manter a sanidade nesses tempos tão incertos. 

Veja abaixo os relatos de outras pessoas do Glassdoor Brasil:

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Júlia Chizzola, Account Executive: 

“No Glassdoor nós sempre tivemos o home office (HO) como uma prática da empresa. Nunca foi uma coisa incomum trabalhar de casa, mas confesso que, como área comercial, para quem gosta de estar todos os dias na rua com cliente, o HO nem tinha tanta graça assim. Hoje estamos literalmente trabalhando de casa e isso nos traz pontos positivos e desafios no dia a dia.

Para mim trabalhar de casa tem sido uma experiência desafiadora com horários, tanto para começar a rotina quanto para parar. A qualidade de vida mudou para melhor, já que agora parece que o relógio ganhou mais algumas horas. Dá tempo de aproveitar a família que mora na mesma casa, fazer exercício físico, ficar mais tempo com o cachorro e ainda assim conseguir trabalhar e se capacitar com algum curso novo.

O desafio é a troca com os colegas no dia a dia. Nós nos esforçamos ao máximo para adequar a comunicação e não perder o senso de time. Dúvidas são trocadas com mais frequência e por Zoom — mesmo que 3 minutinhos. As reuniões do cafezinho e as celebrações não deixaram de ser feitas. A empresa também tem se preocupado em se comunicar ao máximo com os funcionários para não deixar nada importante passar, principalmente quando o assunto é saúde mental.”

 

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  Tamiris Borges, Sr. Account Executive :

“O home office semanal já havia sido adotado pelo Glassdoor há um tempo, mas ele passou a precisar de mais atenção a partir do momento que se tornou obrigatório por conta do surto do Covid-19. Com isso, criei alguns processos e rotinas no meu dia a dia que estão me ajudando a passar por esta situação com mais tranquilidade, disciplina e profissionalismo.

Minha primeira atitude foi continuar a minha rotina matinal como se eu estivesse indo ao escritório, ou seja, faço todas as minhas atividades habituais de higiene pessoal e troco de roupa para não ficar com a sensação de preguiça o dia todo. A disciplina também foi algo importante, não só ao iniciar o meu dia no mesmo horário, mas também com hora certa para finalizar minhas tarefas (e não ficar olhando mensagens relacionadas a trabalho depois disso). Desta forma consigo realizar outras atividades para que eu possa voltar renovada para um novo dia.

 Além disso, passei a fazer diariamente uma pausa de 15 minutos pela manhã e 15 minutos à tarde para sair da minha estação de trabalho e ir comer algo, me alongar ou até mesmo fazer uma videochamada com algum colega. O horário do almoço também passou a ser sagrado: paro realmente por uma hora e procuro estar junto com as outras pessoas que moram comigo nesse momento.

A minha estação de trabalho foi montada em um local em que eu possa ter privacidade para fazer minhas reuniões, tentando evitar o barulho do dia a dia da casa. Para que eu possa ter conforto (pois é o local onde passo a maior parte do meu dia), montei uma mesa com apoio para o computador, mouse pad e uma boa cadeira para não cair na tentação de deitar na cama ou no sofá. Tenho comigo também uma garrafa de água sempre cheia.

 Por último, a dica que recebi do nosso Head Comercial é sempre ter interação com as pessoas do time por vídeo, mesmo que para assuntos de um minuto. Isso nos permite ver o outro, olhar no olho, e dá a sensação de não estarmos sozinhos — além de garantir uma boa comunicação.”

 

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