Entrei na Conta Azul acreditando na cultura que a empresa vendia: humana, acolhedora e construída por pessoas que realmente se importavam umas com as outras. E durante um tempo isso realmente existiu.
O marketing era um ambiente colaborativo, onde as pessoas tinham autonomia, espaço para discutir ideias e eram reconhecidas pelas entregas. Não existia a necessidade constante de autopromoção para validar trabalho. Existia confiança.
Mas tudo mudou com a troca da liderança executiva do marketing.
E o mais frustrante foi perceber que a nova diretoria não chegou para “salvar” um marketing que não funcionava. O antigo diretor saiu porque decidiu seguir novos caminhos, não porque o trabalho estava ruim ou porque o marketing era um fracasso.
Ainda assim, venderam internamente a ideia de que tudo precisava ser reinventado. Mudaram estruturas, processos, dinâmicas e a própria cultura da área como se o problema estivesse em quem já sustentava a operação há anos.
Só que, no fim, muitos dos processos “novos” acabaram voltando para exatamente o que já era feito antes. A diferença é que, nesse caminho, destruíram uma cultura forte, adoeceram pessoas e criaram um ambiente extremamente político e desgastante.
O que antes parecia um ambiente humano e estratégico virou um espaço baseado muito mais em aparência, discurso e visibilidade interna do que em entrega real. Existia muita fala sobre performance, mas pouca performance de verdade. Muito discurso, pouca entrega.
Pessoas que conheciam profundamente o cliente, a operação e os canais passaram a ser desvalorizadas enquanto novas lideranças chegavam com fórmulas prontas, pouca escuta e muita preocupação com narrativa e imagem.
E o mais difícil era perceber que, na prática, muitas dessas lideranças estavam completamente despreparadas para gerir pessoas, processos e cultura.
O ambiente ficou inseguro, competitivo e emocionalmente desgastante. Em muitos momentos, parecia mais importante mostrar que estava trabalhando do que realmente trabalhar.
No meu caso, vivi uma contradição difícil de entender. Fui bem avaliada pelos meus pares e pela minha liderança ao longo do ciclo, participei de projetos importantes, bati metas e ainda assim fui colocada em um plano de desenvolvimento porque, supostamente, “as pessoas não sabiam exatamente o que eu fazia”.
E isso me fez refletir: desde quando o papel de um analista passou a ser convencer diretores sobre a própria relevância? Lideranças não deveriam conhecer profundamente os times que lideram?
A sensação constante era de que visibilidade passou a valer mais do que competência, consistência e resultado real.
Também foi difícil assistir profissionais extremamente competentes adoecendo, sendo desmotivados ou desligados enquanto pessoas despreparadas assumiam posições importantes e tentavam sustentar tudo apenas com discurso.
Vi ideias sendo apropriadas sem reconhecimento, gestores mais preocupados em encontrar culpados do que resolver problemas e uma cultura que parecia existir muito mais no branding do que na prática.
Meu desligamento aconteceu em meio a uma grande movimentação de cortes internos. E hoje, olhando com distância, talvez tenha sido a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo. Porque a verdade é que aquele ambiente já estava consumindo as pessoas.