O processo é dividido em várias etapas. A primeira é aquela entrevista básica (remota) onde contam um pouco da empresa e você fala de si, suas experiências e porque quer trabalhar ali. Eles também aproveitam para te contar como será o processo todo e te passam um desafio técnico que deve ser resolvido em uma linguagem funcional no prazo de duas semanas. Depois disso, é a entrevista presencial, onde você basicamente apresenta a sua solução da fase anterior e explica suas decisões de projeto. Por último, você passa um dia comum na empresa com a sua possível futura equipe, ou algo assim.
Apesar de a comunicação ser clara, eu tive uma experiência bem negativa com o processo. No meu caso, aprendi a linguagem funcional e resolvi o teste em 1 semana. Pouco depois, agendamos a entrevista presencial. Expliquei ao entrevistador os detalhes do meu código, provavelmente para ele se certificar que não paguei ninguém para responder o teste por mim. Eventualmente, ele fazia perguntas ou críticas construtivas, mostrando novas abordagens e explicando as convenções que eles usam. Mas, em todos os casos, ele sempre acrescentava que isso era a forma convencional, que não esperavam que alguém que recém aprendeu a linguagem já soubesse isso ou que havia tempo para pegar essas manhas. Também frisou várias vezes: "mas não se preocupe, isso não vai impactar na sua avaliação".
Dois dias depois, recebo a resposta. Reprovado! O motivo? Os exatos mesmos que o entrevistador disse que não iam impactar na minha avaliação. A pior parte é que esses motivos eram estritamente ligados ao código, não era uma questão de plágio, déficit teórico ou algo que só pudesse ser detectado ao vivo. Dado que um time de desenvolvimento já havia analisado meu código previamente (o entrevistador me contou), concluí que já havia sido reprovado antes mesmo de chegar para a tal entrevista. Afinal de contas, nada que eu dissesse pessoalmente poderia fazer o entrevistador mudar de ideia quanto ao meu código. Não consegui tirar da cabeça que o entrevistador já sabia de tudo e, ironicamente, não mentiu quando disse que nada ia impactar o meu resultado já definido. Não podiam me mandar o e-mail de reprovação, apenas? Fiquei pensando se isso acontece com todos ou se só eu fui feito de palhaço, gastando meu tempo e dinheiro numa excursão ao Nubank a troco de nada.
No final da entrevista, ele ainda me conduziu por uma visita guiada. Pensando em retrospectiva, deve ser uma tática para deixar os candidatos maravilhados com a empresa. Principalmente porque no e-mail de rejeição dizia para não desistir e tentar de novo futuramente. Hum... acho que não.